(sem título)

Eu vou saltar desse penhasco, se é queda livre e há pedras prontas para me perfurar ou se vou de bumg-jump, sinceramente, não me interessa, não estou medindo consequências, só me permitindo não calcular, não planejar.
Quero experimentar.
Como deve ser se jogar no que te deixa feliz ou arriscar descobrir o que te dá essa sensação?
Pode ter dor, e vai ter, mas deixo pra me preparar e reagir a ela quando a hora dela chegar, quando sentir a pedra me atravessar.
Vou me descobrir desarmada.
Sem esperar ou até sem esperança.

 

 

yanna

 

Nostalgia.

O céu estava escuro, as ruas molhadas, o vento era gelado, e uma garoa caía das negras nuvens em algumas partes da cidade, como nascentes de rios. Podia ver as luzes dos postes em plenas quatro horas da tarde, tão escuro estava o tempo. Do alto do prédio, pela janela, observava as pessoas passando na rua, pequeninas, apressadas, trombando umas nas outras, sempre no seu tempo apressado para seus trabalhos muitas vezes deprimentes; podia dizê-lo pelas expressões em seus rostos que, apesar de pequenos, eram bem definidos: os olhos tristes, as testas franzidas, sempre abraçadas aos casacos devido ao frio cortante que fazia; vez ou outra via um casal passar abraçado para se cobrirem da chuva, mas ainda assim, não via a felicidade em seus rostos. O dia parecia combinar com meu estado de espírito: melancólico e sombrio. Foi quando o vi.
Seus cabelos castanhos bagunçados, seu rosto divertido, sua barba por fazer, sua camisa de flanela xadrez vermelha e as calças rasgadas prendiam minha atenção, e nada mais me importava além dele. Sua imagem estava distante de mim, mas sabia que me encarava, assim como eu o fazia. Sabia também qual era a expressão em seus olhos, afinal, era sempre a mesma quando me via. Seus olhos verdes se assemelhavam ao mar num dia ensolarado, translúcidos de calmaria e serenidade; acompanhavam seu sorriso, e juntos – olhos e sorriso – irradiavam luz naquele dia enegrecido, eram como o sol. Mesmo distante, podia sentir o calor que emanava de seu ser, podia sentir seu cheiro de sabonete masculino misturado com algum perfume francês caro que eu tanto amava – e ele sabia; podia sentir o toque aveludado de sua barba, o toque macio de suas mãos em minha cintura.
Ao fechar os olhos, podia sentir seus beijos, seu braços me envolvendo fortemente, seus cabelos enrolados e macios emaranhados em meus dedos. Em apenas alguns instantes, uma maré de sentimentos inundava meu ser, sem que fosse possível contê-los. Afogava-me em ondas constantes de calma, felicidade, paz – sentimentos que só ele conseguia me proporcionar.
Durante tal enchente de sensações, pude perceber que seus olhos, antes tão verdes e vivos, agora haviam se tornado cinzas como o céu. Os raios de luz que antes partiam dele e iluminavam aquele dia haviam sumido, a chuva havia apertado, restando apenas ele na rua, com as roupas ensopadas e o cabelo escorrido em seu rosto. Agora o divertimento presente em seu rosto havia sumido, e me encarava friamente, com um quê de raiva em seus olhos, antes tão calmos e serenos. E então um som ensurdecedor rasgando por meus tímpanos.
O despertador. Tudo havia sido um sonho. Suspirei, olhando para as paredes brancas e vazias, as caixas da mudança ainda nos mesmos lugares em que havia as colocado, sendo iluminadas apenas pela fraca luz que entrava pela janela. Levantei-me e caminhei até a janela.
O céu estava escuro, as ruas molhadas, o vento era gelado, e uma garoa caía das negras nuvens em algumas partes da cidade, como nascentes de rios.

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Pra bagunçar, pra dançar.

 

Tudo bem, pode entrar.
Nota a organização.
Eu até deixo você bagunçar, mas se aceita uma dica, vai com cautela pra não se assustar, porque eu me organizei tanto que é capaz de você estranhar e até não reconhecer.

Vem conhecer.

Pode mexer nas gavetas, levar algo com você, deixar alguma coisa tua.
Pode dar palpite, pode deixar o coração palpitar, seguir o ritmo.
Entra na minha dança.
Escuta essa canção que parece nossa.
Deixa esse livro no lugar.
E meu coração também, aliás, por mais que você tente, ele já está num plástico bolha.
Não, isso não quer dizer que você tenha que sair, pode ficar, te quero aqui, mas te quero sem amor, te quero por gostar. Eu ando preferindo assim.

 

yanna

Fora do traço

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Estudar, ter um “bom emprego” que lhe assegure vida boa, que lhe dê condições financeiras para fazer o que tiver vontade. Tem gente que planeja a vida assim. Decide suas ações nessa ordem, traça as linhas, faz os planos, segue a risca.

Por um tempo eu também tracei meus planos assim, estudaria Direito numa universidade federal ou numa boa particular, ganharia bem como advogada e isso me possibilitaria ter minha fazenda com bois, vacas e cavalos, ajudar de alguma forma as pessoas do sertão cearense e ainda viajaria pra onde quisesse nas férias, além de poder ter o que precisasse.

Resolvi inverter isso tudo.

Se antes eu planejava baseado em como gostaria que fosse o meu futuro, agora eu me baseio apenas no presente. É no presente que nós vivemos, é nele em que as necessidades da alma vão aparecendo e se modificando, são essas necessidades que agora me guiam. Hoje parei de olhar as possibilidade de resultados que poderiam vir daqui há anos e resolvi olhar pra mim hoje, pra minha alma e até pro meu passado, pra minha trajetória, acho que isso sim é que deve nos guiar. E com essa inversão, agora fica assim: fazer o que tiver vontade, assim posso ter chances de possuir condição financeira compatível com minhas necessidades, alguma dúvida de que assim vou achar meu emprego maravilhoso e minha vida melhor ainda? Dizem que não há dúvidas nisso, mas que são poucas as pessoas que arriscam inverter os traços ou fugir dos tradicionais.
To tentando [ar]riscar meus traços a cada dia.

yanna

 

 

Censura em sala de aula

O que irei relatar aqui, ocorreu hoje (06/04/2014), e o farei por se tratar de um modo de falar o que não pude na hora, pois os gritos da professora me calaram.

Estou nos primeiros meses de Publicidade e Propaganda em uma instituição particular, era aula de Produção Textual, onde nela estava havendo apresentações de trabalhos sobre os mitos do livro Preconceito Linguístico, de Marcos Bagno.  A última equipe usou como parte do seu material, um vídeo de um discurso do Lula, e apesar de eu não ser fã dele, apesar de ter o costume de criticar ele, seu partido e seu governo, resolvi que prestaria atenção, e nisso vi que não teria o que criticar ou revidar, não caberia à aula, no tal discurso ele realmente falava o que condizia ao tema da equipe que era “O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social”.  Não teria cabimento discutir política naquele momento e isso eu não fiz (estou tentando frisar isso para perceberem mais além como a professora procurou distorcer o que eu falei). E o que eu fiz ou falei a ponto de ser censurada pela professora? Eu assimilei o discurso às entrevistas dele e resolvi comentar seguindo uma linha de pensamento que eu havia notado no livro em estudo: que falar bem também envolve saber se expressar e fazer com que quem o escuta entenda a mensagem;  e que levando isso em consideração, valia lembrar que os discursos do ex-presidente em situações como aquela eram planejados, há por trás toda uma articulação de marketing, propaganda ou seja lá o que for (olha, estamos em uma sala de aula de comunicação social, todos ali tem noção disso, ou deveriam) para que saia um discurso condizente ao momento em que precisa ser falado e a quem irá ouvir, diferente do que podemos ver em suas entrevistas, onde muitas vezes Lula se expressa mal, fala o que ninguém quer ouvir, se contradiz ou até mesmo “deixa escapar” o que não deveria, citei também, ou tentei, o livro do Marcelo Tas em que reúne trechos da fala de Lula que são verdadeiras piadas prontas para qualquer leitor que tenha o mínimo de conhecimento. Porém, antes que eu pudesse falar isso tão bem explicado como escrevi, começaram os gritos por parte da professora, alegando que ela não permitia que isso fosse levado para o lado político (me digam se eu fiz isso, eu apenas analisei como a fala dele é quando há planejamento e quando não  há, e o pior é que em ela afirmar que eu havia feito tal coisa, até quem ouviu o que eu havia dito, interpretou da maneira como ela quis distorcer), que ela é alguma coisa em análise de discurso e que poderia falar com autoridade que este era perfeito, lindo, que Lula emocionava as pessoas (em algum momento eu falei o contrário sobre o discurso? Não! Eu justamente falei o que planejamento o deixava bom! E notem o uso de autoridade como modo de opressão, como modo de calar meu comentário), que não aceita opinião de quem tentar denigrir a imagem dele (em que momento eu fiz isso? E convenhamos que ele já faz isso sozinho e muito bem). Enquanto ela se exaltava, gritava e gesticulava, de forma que levasse ao meu silêncio, eu ainda tentava falar que aquilo não tinha nada a ver com a questão política, que poderíamos estar falando sobre qualquer outra pessoa/político, não necessariamente sobre o Lula, mas como  o discurso em questão era o dele, foi o que levei em consideração, mas em meio àquela tentativa de intimidação eu mesma mal conseguia ouvir o que eu dizia, imaginem ela ou meus colegas. Para poder ser escutada eu deveria levantar a voz ao mesmo tom que ela? Pelo visto sim, essa era a saída, mas minha educação não permite, levo em consideração que igualar-se a o que me afeta ou a o que eu julgo que não é correto, nunca fez parte do meu comportamento.

Então, me senti sim vítima de uma censura maquiada, realizada por meio do uso de autoridade, distorção de palavras e gritos de modo que isso me impedisse de opinar, me expressar ou debater o que estava sendo estudado, mas espero que nesse pequeno texto eu tenha conseguido descrever a situação, defender minha visão e tornar a situação de certa forma pública.

yanna

Eu paro tudo pra te observar um segundo

Posso parar qualquer coisa pra ter a oportunidade de te observar
E paro o segundo pra eternizar, te fotografo assim, olhando pro mar ou pra mim
perco a noção do tempo
Um segundo vale por uma hora, uma hora vale pela vida
Paro a dança, o carnaval, pra ser tua folia particular
Pra te ter do meu lado, ver de perto cada sinal, sarda, ligar elas à mim
De longe, sentir a alegria do teu sorriso chegar à mim do outro lado da rua
Respirar o mesmo ar enquanto vejo mandalas desenhadas nos teus olhos, enquanto me pergunto o quão profundo eles são, quanto amor cabe ali
Enquanto desenho-te, desenho em ti, com gestos
Eternizo.

yanna

Life’s too short to be serious

Todos os anos, nos seus últimos segundos, sempre me digo que o ano seguinte será diferente, mas isso nunca aconteceu; nunca realmente me esforcei pra isso. Mas esse ano, logo no início, minha vida deu uma volta enorme, que nunca pensei que daria.
Não sei se essa volta foi devido à minha, vamos dizer, desistência de algo que pensei que seria o certo pra mim, se devido à escolha do meu sonho de criança, ou se devido ao fato de eu passar a ver vídeos dele todo dia, mas aconteceu. Talvez eu tenha achado o que quero pro resto da vida, o que vai me fazer feliz, ou talvez ele me mostrou que a vida é melhor quando você vê piada em tudo, quando você não é tão sério. Afinal, a vida é curta.
Dizem por ai que ela é curta pra ser levada a sério, mas não. A vida é curta pra SER tão sério. Não podemos passá-la nos preocupando o tempo todo, mas temos que levá-la a sério sempre. Algo que eu não vinha fazendo.
Só temos uma chance de vivê-la. Uma. Não duas, não três. Não temos sete vidas como os gatos. Temos uma. “Ah, mas tem gente que praticamente tem uma segunda chance de viver.” Sim, mas não é por isso que você vai fazer de tudo que pode acabar com sua vida.
A vida é uma só, e o pré-requisito básico pra ela acabar é estar vivo. Então temos, sim, que viver, rir, achar graça das coisas, mas também devemos levá-la a serio. Sem SERMOS sérios.
A vida é bela, e nessa volta que 2014 me proporcionou, eu percebi isso.
Pela primeira vez em anos, eu digo com certeza: a vida é bela. Se não está, ela vai ficar.
“Life’s too short to be serious.”

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