Nostalgia.

O céu estava escuro, as ruas molhadas, o vento era gelado, e uma garoa caía das negras nuvens em algumas partes da cidade, como nascentes de rios. Podia ver as luzes dos postes em plenas quatro horas da tarde, tão escuro estava o tempo. Do alto do prédio, pela janela, observava as pessoas passando na rua, pequeninas, apressadas, trombando umas nas outras, sempre no seu tempo apressado para seus trabalhos muitas vezes deprimentes; podia dizê-lo pelas expressões em seus rostos que, apesar de pequenos, eram bem definidos: os olhos tristes, as testas franzidas, sempre abraçadas aos casacos devido ao frio cortante que fazia; vez ou outra via um casal passar abraçado para se cobrirem da chuva, mas ainda assim, não via a felicidade em seus rostos. O dia parecia combinar com meu estado de espírito: melancólico e sombrio. Foi quando o vi.
Seus cabelos castanhos bagunçados, seu rosto divertido, sua barba por fazer, sua camisa de flanela xadrez vermelha e as calças rasgadas prendiam minha atenção, e nada mais me importava além dele. Sua imagem estava distante de mim, mas sabia que me encarava, assim como eu o fazia. Sabia também qual era a expressão em seus olhos, afinal, era sempre a mesma quando me via. Seus olhos verdes se assemelhavam ao mar num dia ensolarado, translúcidos de calmaria e serenidade; acompanhavam seu sorriso, e juntos – olhos e sorriso – irradiavam luz naquele dia enegrecido, eram como o sol. Mesmo distante, podia sentir o calor que emanava de seu ser, podia sentir seu cheiro de sabonete masculino misturado com algum perfume francês caro que eu tanto amava – e ele sabia; podia sentir o toque aveludado de sua barba, o toque macio de suas mãos em minha cintura.
Ao fechar os olhos, podia sentir seus beijos, seu braços me envolvendo fortemente, seus cabelos enrolados e macios emaranhados em meus dedos. Em apenas alguns instantes, uma maré de sentimentos inundava meu ser, sem que fosse possível contê-los. Afogava-me em ondas constantes de calma, felicidade, paz – sentimentos que só ele conseguia me proporcionar.
Durante tal enchente de sensações, pude perceber que seus olhos, antes tão verdes e vivos, agora haviam se tornado cinzas como o céu. Os raios de luz que antes partiam dele e iluminavam aquele dia haviam sumido, a chuva havia apertado, restando apenas ele na rua, com as roupas ensopadas e o cabelo escorrido em seu rosto. Agora o divertimento presente em seu rosto havia sumido, e me encarava friamente, com um quê de raiva em seus olhos, antes tão calmos e serenos. E então um som ensurdecedor rasgando por meus tímpanos.
O despertador. Tudo havia sido um sonho. Suspirei, olhando para as paredes brancas e vazias, as caixas da mudança ainda nos mesmos lugares em que havia as colocado, sendo iluminadas apenas pela fraca luz que entrava pela janela. Levantei-me e caminhei até a janela.
O céu estava escuro, as ruas molhadas, o vento era gelado, e uma garoa caía das negras nuvens em algumas partes da cidade, como nascentes de rios.

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Life’s too short to be serious

Todos os anos, nos seus últimos segundos, sempre me digo que o ano seguinte será diferente, mas isso nunca aconteceu; nunca realmente me esforcei pra isso. Mas esse ano, logo no início, minha vida deu uma volta enorme, que nunca pensei que daria.
Não sei se essa volta foi devido à minha, vamos dizer, desistência de algo que pensei que seria o certo pra mim, se devido à escolha do meu sonho de criança, ou se devido ao fato de eu passar a ver vídeos dele todo dia, mas aconteceu. Talvez eu tenha achado o que quero pro resto da vida, o que vai me fazer feliz, ou talvez ele me mostrou que a vida é melhor quando você vê piada em tudo, quando você não é tão sério. Afinal, a vida é curta.
Dizem por ai que ela é curta pra ser levada a sério, mas não. A vida é curta pra SER tão sério. Não podemos passá-la nos preocupando o tempo todo, mas temos que levá-la a sério sempre. Algo que eu não vinha fazendo.
Só temos uma chance de vivê-la. Uma. Não duas, não três. Não temos sete vidas como os gatos. Temos uma. “Ah, mas tem gente que praticamente tem uma segunda chance de viver.” Sim, mas não é por isso que você vai fazer de tudo que pode acabar com sua vida.
A vida é uma só, e o pré-requisito básico pra ela acabar é estar vivo. Então temos, sim, que viver, rir, achar graça das coisas, mas também devemos levá-la a serio. Sem SERMOS sérios.
A vida é bela, e nessa volta que 2014 me proporcionou, eu percebi isso.
Pela primeira vez em anos, eu digo com certeza: a vida é bela. Se não está, ela vai ficar.
“Life’s too short to be serious.”

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Melhoras…

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Ah, eu lembro da primeira vez que te vi, da forma como me senti. Como me senti bem sem ao menos te conhecer. E durante muito tempo me senti dessa forma, me senti eu mesma. Me senti feliz, como não imaginava ter me sentido antes. Durante quase um ano, disse que você foi meu salvador, e, de certa forma, foi, sim. Mas os tempos mudam e as máscaras caem.
Com o tempo vi quem você era de verdade, e percebi que nem tudo é um mar de rosas. Aquela primeira impressão que eu tive, de que você seria compreensível e realmente me ajudaria, foi por água abaixo quando eu mais precisava de você. Eu passei a ser um nada pra você – isso se eu fui alguma coisa, algum dia –, e isso me devastou. Ouso dizer que era como se você nunca houvesse me salvado à sua maneira, como tinha feito.
E hoje, ah!, hoje posso dizer que tudo que eu não sou pra você, você não é pra mim. Todo aquele amor que eu sentia por você desde o primeiro instante em que te vi, posso dizer que não, ele não simplesmente sumiu, mas se transformou. Hoje não preciso mais de você, não preciso que você me faça rir; não preciso ouvir sua voz pra me sentir bem, e seu cheiro não faz mais minhas pernas tremerem e meu coração palpitar como se quisesse sair pela boca. Hoje não fico mais sem palavras e sem ações ao te ver.
Hoje você não é mais meu salvador. Não. Hoje eu aprendi a salvar a mim mesma, sem a sua ajuda.
Hoje não preciso mais de você pra ser meu herói e eu ser feliz. Hoje eu sou minha própria heroína.

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Sobre amizade virtual

Muitas pessoas veem a amizade virtual como um tabu, enquanto outra veem como a melhor coisa do mundo. Eu vejo apenas como uma amizade como qualquer outra. Não sei se por ter morado em várias cidades por pouco tempo (2 ou  3 anos sempre), acabo tendo mais contato com meus amigos via internet/celular, então pra mim é como se fosse a mesma coisa.

Hoje em dia é mais difícil pra mim fazer uma amizade virtual, mas teve um tempo em que praticamente eu não conhecia pessoalmente nem um dos meus melhores amigos. Acontece que na internet você encontra pessoas com gostos muito parecidos com o seu, sabe aquela velha história de “quem é legal mora longe”? É basicamente isso. Mas assim como toda amizade, chega uma hora que as novidades, as compatibilidades e tudo mais acaba, e aí, o que resta é: a pessoa se torna um conhecido, ou se torna um amigo. Mas amigo daqueles de verdade, sabe? E é aí que eu queria chegar, porque é incrível o número de amigos que eu tenho virtualmente, amigos de muuuuito tempo mesmo. Tem Yanna, que eu conheço desde a época do flickr e faz tanto tempo que pra ser bem sincera nem lembro como nos conhecemos, com quem recentemente fiz uma parceria para o blog Agora É Moda ,  e com quem contei muito em alguns momentos muito difíceis em minha vida e eu sei que ela também contou comigo em alguns momentos da vida dela. Tem Celso, do RJ vejam só, que eu aaaaamo de paixão, nós somos provavelmente as piores pessoas da Terra, com quem compartilho todo nome estranho que vejo em qualquer lugar e quem desde a época que eu conheci é a pessoa que eu posso contar tudo que eu sei que vai me entender, é meu melhor amigo virtual. Tem Monalisa, minha amiguinha linda que conheci quando ela ainda ia fazer 15 aninhos, trocamos várias cartinhas, fotos e mimos durante anos, quem eu com certeza estarei no casamento. Enfim, tem muita gente mesmo! E ainda tem aqueles que apesar de não ter tanta amizade você sente como se conhecesse a pessoa, porque você acaba acompanhando a vida dela pelas redes sociais. São pessoas de todo canto, que eu tenho muita vontade de conhecer.

Não estou aqui levantando a bandeira de “sejam anti sociais, só tenham amigos virtuais” tenho meus amigos “reais” com quem também posso contar sempre, que me divertem, que eu amo, só queria reconhecer meus amigos que estão longe, mas que fazem toda diferença em minha vida.

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Pra Ser Feliz

Inspirados no comercial do Pão de Açúcar com a linda da Clarice Falcão, respondemos: O que faz você feliz? O que você FAZ pra ser feliz?

(tivemos um probleminha para postar o video, mas segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=WNLftiKay8k)

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Mirella.
Primeiramente, o que me faz infinitamente feliz é a presença do meu Deus em meu coração. Saber que Ele é comigo dissipa toda tristeza.
Estar com meus amigos/familiares, reunir para assistir filme, jogar, tocar/cantar, tomar tereré, conversar abobrinha e rir. Sou muito boba pra rir, então isso não é muito difícil.Caminhar me faz feliz também. Morro de preguiça de academia, então caminho, e isso me distrai. Outra coisa que me distrai e afasta a tristeza é ler ou ouvir música.
E claro que além dessas coisas que são bem simples, o fato de eu ter o melhor amor do mundo não me permite ser nada menos que feliz. ❤

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Valberto.
O que faço pra ser feliz é estar perto de quem gosto, família, amigos e das minhas cadelas. Ver filmes, ouvir musicas, sair com os amigos para conversar e rir de praticamente tudo. Cantar bem auto minhas música, desenhar e até mesmo dança sozinho no meu quarto nos momento de tédio, dormir tarde (acordar tarde) e não podendo esquecer das minhas lindas férias. Comer realmente me deixa feliz, ler um bom livro de vez em quando, fotografar, internet e ganhar presentes. Ajudar alguém, tirar um simples sorriso de uma pessoa triste, olhar para o céu e tomar um banho de mar (saudades). Mas ultimamente o que tem me deixado mais feliz é falar com quem amo. E não esquecendo a presença de Deus no meu coração, sabendo que Ele estará sempre me protegendo e mandando embora todas as tristezas.

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Yanna.
Posso dizer que me tornei mais feliz depois de aprender a ser mais paciente, saber lidar com as situações e saber que se algo não deu certo hoje, há outros dias pela frente.
Além  disso, a simplicidade me faz feliz, poder dormir e comer bem, viajar (saudades disso), fotografar, e principalmente ler e escrever, tudo isso me deixa leve de tão feliz.
Tem outras duas coisinha que vem cada vez me fazendo mais bem: passar alguns dias em Paraipaba (depois que me mudei pra Fortaleza ando valorizando mais ainda cada segundo que passo na terrinha com minha mãe  e meu irmão, não desgrudo deles um segundo) e conseguir conservar amizades, tanto as que nasceram na internet (Oi Miih, rs) quanto as que nasceram no ensino fundamental do Ciep. É isso, não preciso ostentar riquezas ou fazer coisas extraordinarias pra ser feliz, basta aproveitar o que aparece na minha caminhada.

O que levarei de 2012

Fim de ano é o tipo de período que não dá pra deixar passar em branco sem relembrar, agradecer…

Vou tentar falar desse ano em ordem  cronológica, mas não seri se vai dar muito certo, já avisando… vamos lá!

Esse ano desde seu primeiro segundo (em Lagoinha) já me mostrou uma prévia de o quão bom seria e o quanto eu poderia mudar e aprender em seu decorrer.
Conheci gente nova, me tornei mais próxima de quem já conhecia a um tempo.

E ainda falando do começo do ano, pude conhecer digamos que uma parte da família da Laris, e agradeço aqui a cada um por todos os dias que pude passar com vocês, cada um merece meu respeito, são realmente adoráveis e amo ver a harmonia que existe entre vocês. Além de ter sido o ano em que evidentemente nos tornamos mais próximas, nossa amizade cresceu baaastante! E tem tudo pra se fortalecer ainda mais viu princess?

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Mas também perdi pessoas, tanto por morte quanto por, por… Bem, não sei o motivo, realmente não sei, mas quem eu tinha uma enorme consideração acabou se afastando de mim, de forma inexplicável , o que fez com que eu enxergasse a real essência da tal pessoa. E já deixei de tentar buscar na memória o que pode ter causado isso.

Mas sabe aquela história que nada nem ninguém sai da sua vida por acaso e que se algo sai algo melhor há de chegar? Pois bem, ai a Anna Larissa entrou na minha vida e posso afirmar que foi uma das melhores coisas que me aconteceu esse ano.

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Já nos conheciamos a 8 anos e já chegamos a nos “quase-odiar”, fomos tantas vezes à secretaria do colégio por causa de briguinhas! haha. Até que isso foi se amenizando com o tempo e depois dela ter passado um ano em Fortaleza, quando voltou a nossa aproximação foi meio que instantânea e surgiu uma amizade sincera, e eu realmente agradeço por tê-la na minha vida. Mudou minha forma de ver o mundo, até minha auto-estima.

Eu amo você tigroa, e é como você disse: nossa história tá so começando.

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Outra pessoa que eu já conhecia a aaaaanos e que minha timidez, e talvez a diferença mesmo que as idades proporcionavam, me impediam de criar um vínculo maior era a Kylvia. Criei uma confiança enorme em ti, além de adimiração! ♥

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Então, esse ano aprendi demais, fui mais feliz, transtornos houveram sim, mas por conviver esse pessoal maravilhoso consegui ver a vida de outra forma, ser mais leve.

Amizades antigas permaneceram, novas vieram, aprendi até que uma amizade colorida não faz mal a ninguém, ou duas.

Até salvei a vida de uma gatinho.

Gente, foi coisa demais esse ano, vou escrevendo aqui e vem cada vez mais coisas em mente, mas já to achando o post muito longo, então resumo o restante (não tudo) em imagens.

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Falta muita foto ainda e falta citar tanta gente, mas tenho consciência que post longo é muito cansativo, mesmo me dando um aperto no coração por não falar detalhadamente de cada momento, de cada pessoa.

Fica aqui meu desejo de um 2013 surreal para todos nós! beeeeeeijos.

yanna