Censura em sala de aula

O que irei relatar aqui, ocorreu hoje (06/04/2014), e o farei por se tratar de um modo de falar o que não pude na hora, pois os gritos da professora me calaram.

Estou nos primeiros meses de Publicidade e Propaganda em uma instituição particular, era aula de Produção Textual, onde nela estava havendo apresentações de trabalhos sobre os mitos do livro Preconceito Linguístico, de Marcos Bagno.  A última equipe usou como parte do seu material, um vídeo de um discurso do Lula, e apesar de eu não ser fã dele, apesar de ter o costume de criticar ele, seu partido e seu governo, resolvi que prestaria atenção, e nisso vi que não teria o que criticar ou revidar, não caberia à aula, no tal discurso ele realmente falava o que condizia ao tema da equipe que era “O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social”.  Não teria cabimento discutir política naquele momento e isso eu não fiz (estou tentando frisar isso para perceberem mais além como a professora procurou distorcer o que eu falei). E o que eu fiz ou falei a ponto de ser censurada pela professora? Eu assimilei o discurso às entrevistas dele e resolvi comentar seguindo uma linha de pensamento que eu havia notado no livro em estudo: que falar bem também envolve saber se expressar e fazer com que quem o escuta entenda a mensagem;  e que levando isso em consideração, valia lembrar que os discursos do ex-presidente em situações como aquela eram planejados, há por trás toda uma articulação de marketing, propaganda ou seja lá o que for (olha, estamos em uma sala de aula de comunicação social, todos ali tem noção disso, ou deveriam) para que saia um discurso condizente ao momento em que precisa ser falado e a quem irá ouvir, diferente do que podemos ver em suas entrevistas, onde muitas vezes Lula se expressa mal, fala o que ninguém quer ouvir, se contradiz ou até mesmo “deixa escapar” o que não deveria, citei também, ou tentei, o livro do Marcelo Tas em que reúne trechos da fala de Lula que são verdadeiras piadas prontas para qualquer leitor que tenha o mínimo de conhecimento. Porém, antes que eu pudesse falar isso tão bem explicado como escrevi, começaram os gritos por parte da professora, alegando que ela não permitia que isso fosse levado para o lado político (me digam se eu fiz isso, eu apenas analisei como a fala dele é quando há planejamento e quando não  há, e o pior é que em ela afirmar que eu havia feito tal coisa, até quem ouviu o que eu havia dito, interpretou da maneira como ela quis distorcer), que ela é alguma coisa em análise de discurso e que poderia falar com autoridade que este era perfeito, lindo, que Lula emocionava as pessoas (em algum momento eu falei o contrário sobre o discurso? Não! Eu justamente falei o que planejamento o deixava bom! E notem o uso de autoridade como modo de opressão, como modo de calar meu comentário), que não aceita opinião de quem tentar denigrir a imagem dele (em que momento eu fiz isso? E convenhamos que ele já faz isso sozinho e muito bem). Enquanto ela se exaltava, gritava e gesticulava, de forma que levasse ao meu silêncio, eu ainda tentava falar que aquilo não tinha nada a ver com a questão política, que poderíamos estar falando sobre qualquer outra pessoa/político, não necessariamente sobre o Lula, mas como  o discurso em questão era o dele, foi o que levei em consideração, mas em meio àquela tentativa de intimidação eu mesma mal conseguia ouvir o que eu dizia, imaginem ela ou meus colegas. Para poder ser escutada eu deveria levantar a voz ao mesmo tom que ela? Pelo visto sim, essa era a saída, mas minha educação não permite, levo em consideração que igualar-se a o que me afeta ou a o que eu julgo que não é correto, nunca fez parte do meu comportamento.

Então, me senti sim vítima de uma censura maquiada, realizada por meio do uso de autoridade, distorção de palavras e gritos de modo que isso me impedisse de opinar, me expressar ou debater o que estava sendo estudado, mas espero que nesse pequeno texto eu tenha conseguido descrever a situação, defender minha visão e tornar a situação de certa forma pública.

yanna

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